Jovem extrativista da Amazônia disputa vaga de representação no Acordo de Escazú, tratado pioneiro na proteção ambiental

Foto Divulgação.

Aos 21 anos, o extrativista e ribeirinho Matheus Silva Azevedo, liderança jovem do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e morador de uma comunidade tradicional de Abaetetuba, no Pará, concorre a uma das seis vagas de representante do público no Acordo de Escazú. A eleição reúne candidatos de diferentes países da América Latina e do Caribe e escolherá representantes para levar experiências, demandas e propostas da sociedade aos debates sobre questões ambientais. A votação para o mandato de 2026 a 2030 será realizada nos dias 10 e 11 de novembro.

Morador do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) São João Batista, localizado nas ilhas de Abaetetuba, Matheus leva para a candidatura a experiência de quem vive em uma comunidade tradicional amazônica e participa de mobilizações em seu território. Sua trajetória é marcada pela atuação junto a povos e comunidades tradicionais e pela defesa da presença das novas gerações nos debates sobre meio ambiente e desenvolvimento.

O Acordo de Escazú é o primeiro tratado ambiental regional da América Latina e do Caribe. O documento estabelece compromissos para garantir acesso à informação ambiental, participação pública nas decisões e acesso à Justiça em questões ambientais. Também inclui medidas voltadas à proteção de pessoas e grupos que atuam na defesa do meio ambiente.

Na prática, os representantes do público fazem a ligação entre comunidades e organizações da sociedade civil e os espaços de discussão do acordo. Eles podem levar demandas, experiências e propostas dos territórios para instâncias como a Conferência das Partes e a Mesa Diretiva. Serão escolhidos seis representantes, dois por cada uma das três sub-regiões. O jovem paraense concorre pela Sub-região 1, que reúne os países da América do Sul.

Para Matheus, chegar a esse processo de escolha também significa levar para o debate regional uma perspectiva construída dentro da região amazônica. “Eu venho de um território onde as decisões sobre meio ambiente não são uma discussão distante: elas estão ligadas à nossa vida, ao nosso trabalho e à permanência das comunidades. Quero que essa experiência esteja presente nos espaços de decisão do Acordo de Escazú e que as juventudes também façam parte desse processo”, comenta.

A atuação de Matheus ultrapassa os debates de sua comunidade. Ele também é conselheiro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República (CDESS), integra o Comitê Permanente de Juventudes do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável e participa de discussões relacionadas ao Acordo de Escazú e às agendas de clima, biodiversidade e conservação.

Propostas

Entre as iniciativas defendidas pelo jovem, estão a de ampliar a presença de povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações territoriais nas discussões do acordo. Matheus também defende maior presença de juventudes, mulheres e pessoas LGBTQIA+ nos espaços de decisão, acesso à informação e à formação ambiental e o fortalecimento da agenda de proteção para quem atua na defesa dos territórios.

“A nossa candidatura ainda prevê aproximar as demandas das comunidades das discussões regionais, fortalecendo o diálogo entre organizações e os espaços de decisão. Outra proposta é ampliar o intercâmbio entre jovens e organizações das diferentes sub-regiões da América Latina e do Caribe”, declara.

Poderão votar as pessoas que estiverem previamente inscritas na plataforma participativa do mecanismo público até 31 de julho de 2026. Além disso, as pessoas aptas a votar já receberam um e-mail da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), confirmando sua aptidão para participar do processo eleitoral.


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